Atum pernambucano

Notícia do caderno “Ela” do jornal O Globo do último sábado: o atum pernambucano está em alta. O nome científico é Thunnus obesus, ele pesa em média 100 quilos e tem padrão tipo exportação. Aliás, é muito apreciado nos Estados Unidos, onde recebe o nome de “big eye” (olho grande).

O peixe pernambucano já tem admiradores entre os chefs de cozinha, tanto em Recife quanto no Rio de Janeiro e em outras mesas. A temperatura da água (média de 23 graus) e a alimentação do atum (lulas grandes) influenciam na quantidade de gordura, que é muito apreciada pelos cozinheiros.

Até o jeito de pescar tem que ser especial. Um dos produtores projetou um barco, adaptou radares eletrônicos para rastrear os cardumes e colocou toda a família para trabalhar.  Tudo para garantir a qualidade do produto que está se tornando internacional.

A estrela de Marcélia

marcelia

Para todo apreciador de cinema com mais de 40 anos, a atriz paraibana Marcélia Cartaxo é a síntese do Nordeste nas telas? Preconceito? Estereótipo? Acho que não.

Quem viu a moça branca e magra brilhar em “A Hora da Estrela”, longa-metragem de Suzana Amaral baseado em Clarice Lispector não se esquece da personagem Macabéa, que deu a Marcélia o cobiçado prêmio Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim de 1985.

Pois o jornal O Estado de São Paulo do último domingo traz uma ótima noticia: Marcélia estará de volta logo logo às telas, em dois novos filmes.

Um deles é “Big Jato”, do pernambucano Claudio Assis, baseado em livro de Xico Sá. O outro é “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante, igualmente pernambucano.

Depois de um tempo entre Rio de Janeiro e São Paulo, em 2002 Marcélia Cartaxo voltou a morar em João Pessoa (PB).  É no final da reportagem que ela diz o porquê de não precisar mais estar o tempo todo no eixo Rio-SP. “Hoje posso fazer filme em qualquer lugar morando aqui. A TV também aceita melhor diferenças regionais e sotaques de cada região, o que me ajuda muito”. Viva Marcélia!

Preconceito

Os jornais estão destacando, desde o fim do segundo turno, as manifestações de preconceito e ódio aos nordestinos com o resultado das eleições. As redes sociais só fazem amplificar essas vozes discriminatórias.

Ainda bem que as eleições acabaram – tivemos uma demonstração bárbara de intolerância e desrespeito à opinião diferente. Pior, vinda “dos dois lados”, independentemente de posição política ou favoritismo nas pesquisas. Os jornais, rádios e televisões registraram dezenas destes casos de intolerância, também amplificados pelas redes sociais.

No caso do preconceito contra os nordestinos, fico me perguntando: reproduzir comentários e imagens discriminatórias ajuda em alguma coisa? Não seria suficiente relatar os casos de intolerância, sem dar visibilidade justamente às mensagens que se quer combater? Fica a reflexão.

Por Claudio Ferreira

Educação preocupa

Divulgados recentemente pelo Ministério da Educação os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referentes ao ano passado. O Brasil registra avanços de qualidade nos primeiros anos do ensino fundamental. Mas não está conseguindo o mesmo desempenho no ensino médio.

Pernambuco destoa da maioria dos Estados – e para o bem. Entre 2011 e 2013, a nota do ensino médio no IDEB aumentou 16,1%. Foi o maior crescimento do país.

Mas não dá para deitar em berço esplêndido. O ensino como um todo ainda vai muito mal, apesar dos avanços. Os problemas vão da infraestrutura das escolas à valorização dos professores, passando pela violência que cerca as unidades de ensino.

Ainda é preciso repetir que só uma boa educação garante um futuro promissor para qualquer país?

Tragédia pernambucana

Desde a quarta-feira, dia 13/08, uma tragédia transformou Pernambuco no centro de notícias do país. A morte de Eduardo Campos, candidato à Presidência da República, fez emissoras de televisão e rádio, além de jornais impressos e na internet refazerem seus planos e deslocarem muitos profissionais de imprensa para Recife.

Todos oscilaram entre, de um lado, registrar a emoção de familiares, autoridades e do povo em geral; e, do outro, tentar especular como vai ficar a corrida presidencial daqui pra frente.

Quase todos acertaram no primeiro quesito. Quem arriscou mais, errou mais. A Globonews, por exemplo, passou boa parte do domingo ao vivo, registrando velório e enterro de Eduardo Campos. Derrapou algumas vezes, como quando o repórter comemorava o fato de ter “tocado o caixão” de uma das vítimas do acidente.

Ou quando o mesmo repórter cobria de perguntas a mãe desta mesma vítima, que já tinha avisado que estava com o “coração despedaçado”. Enfim, insistências típicas de uma cobertura ao vivo longa.

Aliás, as TVs deveriam colocar menos gente (repórteres, comentaristas, etc.) para falar e mostrar mais o que está acontecendo. Não é preciso tentar explicar tudo.

Jornais impressos levaram equipes grandes para a cobertura. As fotos deram a dimensão da comoção pernambucana e regional.

Passados velório e enterro, é a hora do segundo quesito.

 

Por Cláudio Ferreira

Estatísticas

Em tempos de eleições, os jornais se esmeram em fazer diagnósticos de vários setores da vida brasileira. Comparam números de vários estados, geralmente aqueles onde estão as sucursais dos jornais. A edição de O Globo deste domingo se debruçou sobre os índices da violência.

Pernambuco aparece como um dos estados onde a taxa de homicídios caiu. De acordo com o Mapa da Violência, a redução foi de 40 por cento. De terceiro estado mais violento do país, passou para o décimo lugar.

Segundo a reportagem, a diminuição dos índices ainda não foi suficiente para deixar a população tranquila. O jornal trouxe depoimentos de moradores de Santo Amaro (Recife) e Bonsucesso (Olinda). Gente que teve parentes assassinados, muitos por causa de envolvimento com o tráfico de drogas.

Estatísticas são apenas estatísticas. São médias numéricas, que nem sempre refletem a situação em todos os bairros, em todas as cidades, em todo o estado. É sempre bom ler os números com cuidado, venham de onde eles vierem.

Por Claudio Ferreira

Prédios frágeis

Reportagem do jornal O Globo do último domingo mostra uma situação alarmante: na Região Metropolitana do Recife, 4,4 mil prédios correm risco de desabamento.

O levantamento foi feito pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) em cinco municípios: Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e Olinda.  Segundo o estudo, 12 prédios já caíram nos últimos 20 anos na RMR, com um saldo de 37 mortos e cerca de 100 feridos.

A reportagem fala do último acidente, com um prédio em Boa Viagem. Neste caso, havia defeitos na base da construção e no material usado. Felizmente, o prédio já tinha sido desocupado e não houve vítimas.

Dois alertas devem ser feitos. Primeiro: reformas nos apartamentos sem a devida fiscalização podem aumentar as chances de acidentes deste tipo. Segundo: o poder público raramente consegue fiscalizar, de maneira eficiente, as construções. Então, cidadão, cuide do que é seu – o teto e as vidas da sua família – e repare sempre em falhas, rachaduras e outros sinais de que alguma coisa não vai bem.

Homenagens ao mestre

A morte de Ariano Suassuna, na semana passada, jogou muitas luzes sobre a riqueza da obra dele. Sites e primeiras páginas dos jornais impressos deram bastante destaque à notícia triste – será, pergunto eu, que ainda temos a cultura de valorizar mais as pessoas quando elas morrem?

Os mesmos jornais impressos reservaram muito espaço, no fim de semana, para analisar livros e peças e prestar a devida homenagem ao escritor. Uma análise me chamou atenção: a que lamenta por aqueles que, durante os 60 anos de carreira literária de Suassuna, o colocaram sempre como um “autor nordestino”, enfatizando o regionalismo da obra.

À primeira vista, parece uma valorização da cultura da região. Mas não é – acaba sendo uma prisão, uma maneira de rotular uma literatura que é admirada país afora e uma obra teatral montada por grupos de atores com diversos sotaques. Quem insiste em confinar um autor deste quilate somente à sua região está precisando de óculos de grau.

Fichas-sujas

Um levantamento feito pelo jornal O Globo junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que o Brasil tem cerca de 14 mil políticos e agentes públicos impedidos de disputar as eleições deste ano. São condenados pelos tribunais de Justiça, tanto por improbidade administrativa quanto pelos atos previstos na Lei da Ficha Limpa.

O jornal faz um gráfico mostrando quantos “fichas-sujas” existem em cada estado para cada 100 mil habitantes. O campeão é o meu cantinho aqui, o Distrito Federal. O que me chamou a atenção é que não há um estado do Nordeste entre os 10 primeiros colocados. O Rio Grande do Norte, primeiro estado da região no ranking, está em 11º lugar.

Há uma ressalva: os números menores em estados com população grande podem significar que há menos controle entre as instâncias jurídicas ou que alguns juízes não estão alimentando o cadastro nacional, o que não seria nada bom.

Pernambuco e Bahia, dois dos maiores estados do Nordeste, estão no último lugar da lista. Desta vez, no entanto, estar em último lugar é muito bom!

Por Cláudio Ferreira

Só vai dar Copa

Não tem jeito: a partir desta semana, o noticiário estará quase que totalmente dedicado à Copa do Mundo – aos jogos propriamente ditos e tudo o que cerca estádios, protestos, estrelas e autoridades.

Como o Nordeste tem quatro das 12 sedes, notícias de Recife, Salvador, Fortaleza e Natal não vão faltar. Desde as notícias boas – torcidas bem comportadas, facilidade de chegar aos hotéis e aos estádios, renda extra para as cidades, bons serviços para os turistas (nacionais e estrangeiros) – até as notícias ruins.

Um item que sempre preocupa a região quando há um afluxo extra de estrangeiros é a exploração sexual de crianças e adolescentes. Governos e ONGs têm se mexido, mas é preciso que a população como um todo esteja alerta para não permitir que este abuso se perpetue.