Crônicas da Cidade: O quase carnaval da matinê da Prefeitura de Camaragibe e o toque de recolher vespertino

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Quem foi Camaragibe? Quem foi o Carnaval de Camaragibe? Talvez agora só nos reste a saudade. Lugar com uma diversidade cultural considerável e que hoje em dia, sob vários pretextos, tem os folguedos populares relegados a curtos trajetos, com curto período de tempo, com curto ou nenhum apoio por parte da gestão municipal.

Além do mais, sob a prerrogativa de diminuir a violência está havendo toque de recolher, a partir das 17 horas. Depois disso não pode funcionar mais nem trio, nem bar algum no trajeto dos blocos, nem uma lata batendo. Ou seja, por ser um local de lazer popular para a massa, ou seja, para o povão de trabalhadores e pessoas de baixo poder aquisitivo, os foliões perdem o direito de se divertirem. Achávamos ruim quando havia toque de recolher de 22 horas. E agora? Que culpa tem o cidadão que não gosta de confusão e os donos dos bares ávidos para terem o direito de estrebucharem com a crise inventada.

Sob o pretexto da crise, há o contingenciamento dos recursos destinados ao Carnaval, havendo recentemente uma reunião para decidir se haveria ou não o financiamento tradicional por meio de subsídio da Prefeitura Municipal para realização dos tradicionais blocos de rua da cidade.

É interessante observar também, que o já combalido carnaval de rua, os blocos iniciais que abrem o carnaval, a exemplo das Catraias, saiu com o som do trio desligado, só podendo ligar na reta final. Segundo informações, o trio não possuía a documentação legal para sair tocando. Mas, e porque pôde tocar no final?

Sem se falar que alguns espaços de lazer da nossa juventude foram obrigados a terminarem as exibições de bandas e grupos culturais da cidade. Como o Gruta’s Bar. De onde de lá surgiram eventos importantes, tais como: O Som que Sai da Quinta. O Som que Sai da Gruta e a Sambada da Laia. Eventos estes que traziam pessoas de várias cidades para acompanhar o surgimento de novas bandas, canções e movimentos alternativos que, mesmo sem o apoio do nosso órgão gestor, a Fundação de Cultura do Município, aconteciam. Agora nem mais isso. O atual gestor da Cultura é o Francisco Leocádio. O Chicão, político de carreira do PSB da cidade, porém, não consta de acordo com  o movimento cultural, a sua sintonia com a Política Cultural atual. Apenas após pressão dos conselheiros municipais de cultura, eleitos no final do ano passado, que conseguiram após reunião com o Secretário de Governo, André Guerra, um indicativo para a tomada de posse. Sem falar que não se ouve por aí a discussão sobre Fundo Municipal de Cultural, sobre a abertura de editais para incentivo e financiamento das atividades culturais.

É uma lástima, pensar a cultura como adorno e como espaço para acomodação dos conchavos políticos. Com o tradicional clientelismo. Quem sofre com isso? Toda população em especial a juventude que só vê nos bares e na bebedeira uma alternativa para se confraternizar e se encontrar com suas turmas. Mas, se for no corredor da folia e no período momesco, apenas até às 17 horas. Acho que os carnavais de minha vó deveriam ser muito mais divertidos.

A ausência de políticas sérias de cultura, lazer e esporte é uma forte auxiliar na encaminhada de nossa juventude para os caminhos sórdidos da criminalidade.

É a cidade de uma gestão que quase conseguia inovar. Que quase foi boa pra saúde. Se não fechasse a maternidade, se não tirasse SUS de servidores. E que quase nos coloca na posição moral de sermos novamente apenas um distrito de São Lourenço, visto a pequenez da sua visão para com a cultura municipal.

Por Magal Melo

Crítica despretensiosa ao Baile do Menino Deus de Camaragibe

Todo espetáculo pode e deve ser considerado como uma grande maravilha, alguém já disse algo assim. Sim, isso mesmo. Temos que considerar o tremendo e enorme esforço que diretores e coordenadores de artes coletivas como o teatro têm que dispensar para que o projeto saia do papel. A força criativa envolvida, a busca incansável pela perfeição. Mas, temos que avaliar analiticamente para podermos contribuir com a valorização dos espetáculos cênicos da cidade, do estado, do mundo. O texto Baile do Menino Deus, de Assis Lima e Ronaldo Correia de Brito, com sua trilha sonora original é um espetáculo à parte. Ele sozinho tocando e dois bonecos balançando já seria genial e bonito. Mas, um Auto de Natal tem e este teve atores, atrizes, dançarinos e outros artistas envolvidos. No de Camaragibe investiu-se nos artistas amadores, com alunos da Escola José Collier e outras crianças da cidade. Tudo bem, no entanto este material humano é mais, muito mais difícil de trabalhar por questões óbvias, tornando o trabalho mais desafiador para as pessoas envolvidas. Temos sempre que lembrar que o público que sai de sua casa, que deixa seus afazeres, que deixa de ganhar dinheiro, deixa de namorar, beber, amar, quer e merece ver o melhor espetáculo do mundo. E, convenhamos, não foi isto que aconteceu. A arte, geralmente, não é generosa com o amadorismo. Quanto à marcação, no início, observamos algumas inteligentes e que o público respondia com a catarse esperada e participativa da surpresa e do sorriso. Mas, do meio para o final foi empobrecendo e tornando lugar comum, causando tédio e marasmo na plateia. Alguns atores se destacaram com a qualidade idiossincrática de sua interpretação, a sua fé cênica, suas mugangas e experiências. Lembro-me de cabeça, o Mateus, que é de fora, mas tem uma boa voz, mesmo o trabalho sendo gravado, dá pra perceber que a bela voz utilizada é a sua. Tem uma performance descontraída, mas ainda tem alguns trejeitos de quem ainda não domina plenamente o seu corpo, um deles é fazer a posição de “L” com os dedos, repetidamente e ausência de uma maior ousadia. Porém, consegue passar um pouco da alegria do personagem. Ainda lembro o papel fundamental de Márcia, como a menina chata e birrenta que quer voltar pra casa, de Helena como Maria e de uma das meninas que tinha os cabelos presos como Chiquinha e foi o Anjo Bom, gostei de seu trabalho. Mas, faltaram coreografias, para um espetáculo que tem muitas músicas dançantes da cultura popular, isso é um elemento muito importante em cena. Poderiam ter colocado dançarinos e coreógrafos profissionais, alunos de dança, pessoal de quadrilha, enfim. O povo quer ver em cena, movimentos que não vê nem faz no dia-a-dia. Não pode ser de qualquer jeito. A maquiagem do Mateus não foi feita de forma profissional. Salpicaram um material barato, uma maquiagem, que creio não ser da marca Payot, a melhor que merecemos, de forma que os detalhes não ficaram claros, pareceu que pegou carvão e passou no rosto, como este o é de forma bruta e original do Cavalo-Marinho. Outra observação é para um ator iniciante que movimentou os elementos fantásticos e os bonecos, não deu a vida e energia necessária para estes. Até o tradicional Jaraguá não assustou nada e dançou pouco e ainda economizaram nas suas vestes lhes tirando a mandíbula e o pescoço. Quanto ao som, o volume estava incômodo, muito alto, causando desconforto para quem estava assistindo. As músicas excelentes, como disse, foram interrompidas com algumas falhas do som que estava também cortando. E ainda houve duas inserções extras ao álbum original, uma de abertura que caiu convenientemente ao contexto, e, outra que era um coco de embolada, que embora muito bonito e original falando dos mestres da cidade, ficou cansativa, por ser demorada e puxada apenas com voz e pandeiro, abrindo mão dos demais acompanhamentos de alfaia, ganzá, metais etc. A locutora e apresentadora do evento estava inspirada e entusiasmada com o evento que começou com um pastoril. Muito importante este tipo de evento acontecer, mas dá pra perceber, que a gestão valoriza pouco este tipo de atividade, pois colocou em apenas dois dias, em um único local. Não havendo nos diversos bairros da cidade. Camaragibe cresceu muito, não podemos retroagir e fazermos os eventos municipais de datas comemorativas em apenas uma localidade polarizada no centro, pois temos cidadãos ávidos de beleza artística em todo território municipal. Em tempos de outrora, havia um espetáculo circulante, onde era iniciado com um cortejo pelos bairros, um pastoril religioso, um profano, um bumba meu boi, o alto de natal, e a culminância com a banda municipal tocando músicas natalinas e dançantes com um maravilhoso show pirotécnico. Bom, mas cada um dá o que tem. E talvez na atual gestão, entendam a cultura como um favor que se dá a população. Um enfeite. Uma coisa interessante é que o Diretor do espetáculo natalino é o Diretor de Cultura da Fundação de Cultura. Para não dizer que é a raposa tomando conta do galinheiro, pois não sabemos das quantias envolvidas na montagem e sua destinação, vale frisar que não é função principal do gestor de cultura, realizar espetáculos. E sim, propiciar condições democráticas de sua viabilização. Hoje, nos municípios mais evoluídos, por meio de editais, onde os grupos mais estruturados e interessados são escolhidos de forma criteriosa e deveras profissional para, assim como a estrela que anunciou o nascimento do menino, brilhar esplendorosamente. No mais, Feliz Ano Novo para todos e todas e parabéns aos integrantes.

Por Magal Melo

Eu e Ariano Suassuna. Morre o homem. Nasce o mito.

Já o admirava de longe. E via sua importância histórica e seu entusiasmo pelo universo da criação cultural. Gérmen que contaminava a mim e vários outros pernambucanos que buscavam uma identidade distinta. Outros sonhadores que se multiplicam até hoje. Nós tínhamos um complexo de vira-latas gritante. Havíamos saído de ressaca dos anos oitenta. Nossa cultura popular era coisa sem fundamento e importância. As discotecas ainda pululavam nos bailes pelo país afora e nas rádios movidas a Jabá. Eis que surge para mim, o paraibano, com a família advinda de Taperoá, dando uns socos de possibilidades e descobertas.

Ele foi o fundador do Movimento Armorial que inspirado nas raízes da tradiçao nordestina em seus aspectos da cultura árabe e latina e em seus grandes autores, intencionava tornar a cultura nordestina reconhecida e valorizada internacionalmente por meio de seus valores universais.

Sentia seus traços no que se manifestava no seu alfabeto de fonte armorial baseado nos ferros do gado. Na música, Antônio Carlos Nóbrega, Antônio e Antúlio Madureira. Quinteto Armorial, Sá Grama, entre outros, Na dança, A Busca do Graal Dançado. Nas artes plásticas, Gilvan Samico, na escultura com Brennand, no teatro com seus belos e memoráveis textos sendo montado cada vez mais por diversos grupos e outros textos surgindo sem parar, como na literatura de Raimundo Carreiro com um nuance urbano totalmente distinto. Até culminar na montagem do Auto da Compadecida para o cinema mostrando um pouco do impacto de sua visão estética e transcendental.

Tive a oportunidade de marcar uma audiência com ele, quando o mesmo era secretário de cultura do Estado da gestão de Arraes para ele liberar a montagem de um texto que seria montado com atores iniciantes. Ele nos recebeu e prontamente liberou a obra em um documento de próprio punho. O texto de então era o Santo e a Porca. Uma montagem de um grupo teatral camaragibense. Este espetáculo circulou pela cidade e em alguns outros municípios. Ganhamos alguns prêmios, eu ganhei o de ator revelação no Festival de Teatro de Bolso com o Personagem Pinhão, o qual fazia um gago namorador e presepeiro. Deste lembro também da elogiada apresentação no Congresso da então FETEAPE – Federação de Teatro Amador de Pernambuco, em Camaragibe.

Já tinha assistido, no mínimo, duas vezes a suas Aulas Espetáculos, único assunto que poderia puxar com ele, que proferia por todo país juntando conhecimentos acadêmicos com causos e vivências pessoais. Achava-o parecido com Poliquarpo Quaresma em seus arroubos na defesa de nossa pobre gente que foi moldada, deliberadamente, pelo modo de pensar externo, americano, inglês, francês, etc. Uma das coisas engraçadas que ele dizia é que quando os Estados Unidos queriam acabar com um país, não estavam mandando mais bombas, ele mandava Madonna e Michael Jackson. Eu entendia tudo. Sabia da importância e da existência da dominação cultural. O povo gargalhava e aplaudia compulsivamente. Logo depois, ele quebrou um pouco desse extremismo com o advento de Chico Science, no qual não simpatizava inicialmente, mas foi ao seu enterro prematuro em prantos, por reconhecer naquele, outro ícone que mostrou possibilidades multicoloridas e infinitas de nosso chão e nosso céu refletido na lama do mangue.

Muitas estórias confabulam-se sobre ele. Uma delas é que alguém disse a ele que só seria um grande escritor, se saísse do Brasil. Ele de pirraça. Pelo que andei vendo, nunca saiu. E se firmou um escritor importantíssimo e único. Outro episódio, em um evento em sua homenagem onde o mesmo havia sido barrado na entrada por não estar de paletó e gravata. Saiu e conseguiu o traje a rigor. Daí, durante o Buffet e a sopa servida, o prato principal, ele colocou a gravata dentro do prato pra bebê-la. Todos o avisaram pensando ele estar distraído, onde este diz peremptoriamente que a gravata era mais importante que ele. Então ela que deveria tomar a sopa.

Outra estória seria não sei de sua veracidade, a de que outro colega escritor e filósofo pernambucano Jomard Muniz de Brito, seu ex-aluno de estética da UFPE que havia escrito um texto fortíssimo no jornal, desqualificando ele e o movimento armorial, em detrimento do tropicalismo, de Caetano, Gil, o qual defendia e trocavam farpas. Ariano saiu andando a sua procura. Como não encontrou, perguntou por ele a um conhecido que disse que não veio. Ariano prontamente deu-lhe um soco, dizendo, para que o seu amigo repassasse para o autor da coluna. Não sei, onde isto é boato ou verdade.

Posteriormente, montamos Torturas de Um Coração já com a Cia Popular de Teatro de Camaragibe. Espetáculo este que nos fez mergulhar ainda mais em seu universo, e em saber que este texto foi criado para teatro de mamulengo para Zélia, sua esposa e fez sucesso pela sua simplicidade de gênio. Os artistas geniais são simples e densos.

Outro fato interessante e único foi em Camaragibe também, onde já foi homenageado presencialmente em um Carnaval e tinha o devido respeito. Mas, certa vez um artista local o convidou para receber uma homenagem. E este divulgou aos quatro cantos que o mesmo iria dar uma aula espetáculo. Ariano foi pra lá, muito aplaudido. Auditório lotado, todos esperando suas estórias. No entanto, o mesmo, recebeu a homenagem, deu boa noite e foi embora. Ficamos olhando um para cara dos outros. Ele era excêntrico.

Fato memorável, também, foi em um polêmico festival de teatro em que fora homenageado, mesmo sendo gestor público. E os atores receberiam uma grande soma para fazer uma leitura dramatizada de uma de suas peças. Ele foi lá assistir orgulhoso. Mas, a classe teatral e o pessoal mais crítico, desceu uma grande vaia. Ele, seguro e esperto. Saiu soltando beijos para os presentes. Grande e polêmica figura.

Ele revolucionou a cultura pernambucana, nordestina, brasileira. E se hoje temos um pouco de orgulho do que somos. Devemos bastante coisa a ele. Mas, como Sísifo, sua luta ainda não findou e a sua morte seja uma oportunidade para mergulharmos de corpo e espírito em sua inquietação incessante na busca de nossas origens e em sua necessária sublimação, em um eterno recomeço.

Hoje, residindo, Em Guarabira, na Paraíba, vejo a sua importância e a necessidade de que seu conhecimento se expanda para todo país. Para defendermos, com dignidade cultural, cada palmo deste chão.

Grande abraço, Mestre Ariano. Siga na fé.

Amarrem o negrinho

Prenda-o ao poste
Jogai a primeira e a última pedra
Absurdo ele estar andando por aí
Amarrem o negrinho nos pulsos
E nos tornozelos velozes
Com cordas fortes, laços firmes
Ele não pode pensar em se soltar
Dê-lhes tabefes, chutes, socos, e pauladas
Certeiras
É apenas um inseto
É o verdadeiro alvo
O culpado por tudo
Por esta criminalidade
Por esta insegurança
Pela desigualdade
De uns terem tanto
De poucos terem tudo
E toda gente ser tão lascada
Amarrem o negrinho
Ele é o culpado
E há provas substanciais
Em seu pequeno quintal
Está também amarrada
Uma galinácea fêmea adulta
Que seria almoço de amanhã
Com as batatas do vizinho
Agora, aqueles de gravatas, não.
Aquele que roubou o dinheiro de comprar remédios
Da vovó tetraplégica
Ou o outro que desviou a quantia
Da compra das vacinas de pólio
Ou o bacana que colocou soda cáustica no leite
Nem pensem, pois é pecado.
Deixem estes bem soltos
Pois eles são idôneos, de caráter ilibado,
São lindos, cheirosos e tem os olhos azuis.

Por Magal Melo

Artista da Vez: Juvino Agner

O Artista da Vez é uma coluna do site Camaragibe da Vez que tem como intento divulgar os artistas de nossa região, seus trabalhos e sua trajetória, para que nossos leitores conheçam, acompanhem seu trabalho e respeitem cada vez mais.

Começaremos com o Juvino Agner, ator e produtor cultural, responsável pela Companhia Popular de Teatro de Camaragibe, nascido em 1972, em Bizarra, município de Bom Jardim, foi pra Vicência em 79, e pra Camaragibe em 89. Em 2013, participou do Filme o Som ao Redor, que foi indicado ao Oscar e em 2015 pretende se dedicar um pouco mais ao cinema.

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Juvino Agner no Camarim – 2012

Camaragibe da Vez: Como você começou a sua vida na arte?

Juvino Agner: Em 1996 ao assistir um espetáculo do grupo teatral risadinha de Camaragibe, em São Lourenço da Mata, o Espetáculo Nó de Quatro Pernas, me interessei pelo teatro. Em 1997 comecei um curso aqui na escola Carlos Frederico em Camaragibe de duração de um mês com Cindy Lauper, ator performático de Camaragibe.

C.D.V.: Quais foram os seus principais trabalhos?

J.A.: Torturas de um Coração, A Festa do Rei, O Beijo no Asfalto, Noite na Taverna, O Grande Mentecapto, Paixão de Cristo de Camaragibe e Íxion.

C.D.V.: Qual o trabalho que estás realizando atualmente?

J.A.: Acabei de concluir o sétimo ano da Paixão de Cristo de Camaragibe, Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá, que em janeiro ganhou o prêmio de melhor espetáculo pelo júri popular, no Janeiro de Grandes Espetáculos e estamos na montagem de um espetáculo infantil, O Menino detrás das Nuvens.

C.D.V.: Quais as maiores dificuldades enfrentadas?

J.A.: A de sempre, apoio.

C.D.V.: Já percorreram outras cidades, estados, países, quais as impressões sobre a arte que você faz?

J. A.: Olha, agente viaja mais pra divulgar o espetáculo, mais as dificuldades são grandes, a produção local oferece hospedagem, alimentação e transporte.

C.D.V.: Soube que viajaram para um Festival de Teatro no Chile! Qual a sua percepção da diferença de visão quanto à arte teatral?

J.A.: Tem muita diferença não, arte é arte em qualquer lugar, as dificuldades são as mesmas. (risos)

C.D.V.: Quanto a sua família, como você se relaciona com ela e esta com o seu fazer cultural.

J.A.: A família é a base de tudo, me relaciono muito bem, ela não me acompanha no meu fazer artístico, mas sempre me deu o maior apoio.

C.D.V.: Quais são suas referências literárias?

J.A.: Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, José de Alencar, Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade e outros.

C.D.V.: Com relação à produção cultural, tem alguma novidade para 2014?

J. A.: Temos a temporada de Senhora de Engenho em abril e maio. No segundo semestre pretendo produzir um festival de teatro.

C.D.V.: Que mensagem você deixa para quem está querendo começar uma carreira teatral?

J.A.: Estudem muito e tenham responsabilidade, porque é uma área muito difícil.

C.D.V.: Obrigado, Juvino. A equipe do Camaragibe da Vez agradece.

 

* * * Entrevistado por Magal Melo, representando o Site Camaragibe da Vez, via facebook.

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Juvino Agner no Chile em 2013

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Foto de Pedro Portugal, Cia recebendo a premiação de Melhor Espetáculo pelo Júri Popular do Janeiro de Grandes Espetáculos. Na foto Euclides Farias, Claudia Joyce, Pedro Dias, Juvino Agner, Patrícia Assunção, David D’Lucard, Magno Casado, Geraldo Cosmo, Virgínia Grécia e Dul Santos.

Ipês

As almas das árvores
E suas flores incandescentes
Gineceus de fogo
Sejam eles
Brancos, roxos e
Amarelos
No silêncio dos planaltos
A natureza grita e conspira
E não entendemos nada

Os Ipês dançam
No contraste das flores
na aridez das secas
Passos sem fim

Vislumbrar
– Sobre as serras
Em tons de cinza –
Oásis de vida
pulsando

E além do que te arrebata,
Surpreende ao fim
A peleja
No conflito banal
da vida com a morte

E o que ignoras
Temes, repulsas
Vences
Na sede cruel
Da língua afiada
Das serpentes
Um novo amanhecer

Semeando
Orvalhos e sóis
Em sonhos de pétalas
Colhe-se, por fim,
No mínimo,
Cores e perfumes
Na próxima tempestade
Do amanhã feliz

Por Magal Melo

Crack

(Não uso, nunca usei, nem quero. Mas, sei do sofrimento de quem tenta se libertar. Eis um poema pra somar, sem ser piegas e panfletário).

Desde o primeiro trago
O bafo do diabo transpira
És língua de serpente em chamas
a escuridão das trevas
inspirando morte,
abismos e precipícios
És forte, não nego
e tua força demolidora
e seus reveses
São reais e de viés

Assim ele chega,
como não quer coisa alguma
demarca território, se impõe.
E instaura na torre
Dos valores, o limite,
A totalidade do ser
Em sofrimentos

Alegrias passageiras
perspicácias

O além-mar
Do super-homem,
És jovem, és novo e prostituto,
E te apaixonas e esganas e estupras.
Toda dignidade impossível

Não há caminhos
Na curva da passagem
Do rio que secou

Nos seus passos
Cacos de vidro do purgatório
Vômito, fome e frêmito
Não és, não tens, não queres, não.

Ressuscita-me
Perante o espelho
No tiro do cachimbo
A luz do túnel surreal
Do lixo e seu cheiro
Trago, nas mãos, o coração

Por Magal Melo

Tereza da Noite

Desceu a Rua Eliza

Pés descalços

Percatas quebradas

Nas mãos

Década de oitenta

Fim de feira

Resto do dia misturado

Com as sobras de verduras

Na vitrola do bar da

Esquina, Cyndi Lauper

Cantarola uma canção dançante

 

Sua maquiagem derretia

No suor do orvalho da

Noite

Foi andando pela calçada

Até chegar no Timbi

Onde trabalharia

No Cabeçudo

 

A noite não estava boa

Três sujeitos mal encarados

Faziam uma festa

Na mesa vinte e dois

Engraçou-se de um deles

Bebeu, comeu, deu a confiança

E um beijo de boca

 

Saiu com ele

Para trás de um galpão

Sexo, neuroses e devaneios

Não quis fazer de tudo

Ele não suportaria outra rejeição

Esganou-a

Nua, com o púbis ao relento

O negrume da noite

Se confundia com o brilho de sua pele

Que foi lentamente esfriando

Até virar pedra

Não saiu nos principais jornais

Nem em nomes de ruas

Era puta demais.

 

Por Magal Melo

2014 promete muito assunto bacana aqui no Blog Camaragibe dá Vez

Começamos o ano com várias novidades em nosso conjunto de colunas do Blog Camaragibe dá Vez.

Infelizmente, deixaremos de publicar as colunas de Elba Ravane (IGUALDADE.COM) que por falta de tempo devido aos compromissos profissionais, não poderá continuar postando no blog; além da coluna de Murilo Gun (É HORA DE DAR RISADA) que está sendo encerrada pelo blog. Agradecemos aos dois pela dedicação e apoio ao nosso blog durante este ano de 2013.

Mas, notícias boas temos várias, a primeira é que as colunas NORDESTE VISTO DE LONGE, quinzenal, de Cláudio Ferreira; É SÓ UMA OPINIÃO, semanal, de Jamesson Vieira; CRÔNICAS DA CIDADE, semanal, de Magal Melo; e, LETRAS CAMARÁ, semanal, de Roberto Penides; continuarão no ar neste ano de 2014!!!

Além disso, nossa segunda novidade são nossos dois novos colunistas que engradecem nosso leque de colunistas do blog:

  • Gleyci Kelli, turismóloga pela UFPE, começa a escrever a coluna quinzenal PAPO DE MULHER. “A coluna Papo de Mulher tem por objetivo tratar de assuntos de interesse do público feminino, tais como moda, beleza, cuidados com a saúde, posição feminina na sociedade, dentre outros. Papos para informar, debater, refletir!”
  • Adriano Simplício, administrador e consultor em transportes, começa a escrever a coluna quinzenal NOSSA MOBILIDADE URBANA. “A nossa luta é sempre buscar por uma cidade com uma melhor qualidade de vida, onde objetivamos construir um transporte justo, disciplinado, não poluente, e com a população se deslocando com uma maior fluidez e menor estresse, de forma rápida e segura, seja qual for o meio utilizado e o local escolhido, sem buracos ou qualquer tipo de obstáculos. É sobre isso que vamos tratar em nossa coluna.”

Nosso editor e colunista Paulo Oliveira, e nossos colunistas Jamesson Vieira e Magal Melo assumem novas colunas, além das que já escrevem:

  • Paulo Oliveira deixa de escrever a coluna RÁPIDAS PINCELADAS e passa a escrever a coluna semanal ESPAÇO POLÍTICO. “Tudo na política influencia a nossa vida, devemos, portanto, discuti-la. Não apenas sobre a política camaragibense, mas também, sobre a política estadual e nacional. Estamos todos vivendo num espaço político!”.
  • Paulo Oliveira escreverá também a nova coluna semanal CAMARÁ NA COPA. “Camaragibe não poderia ficar distante das notícias internacionais sobre a Copa do Mundo. Aqui falaremos de esporte, da preparação das seleções e da copa em si, durante sua realização. Vamos botar esta pelota pra rolar!”
  • Jamesson Vieira, além de sua coluna É SÓ UMA OPINIÃO, começa a escrever a coluna quinzenal MÚSICA DE IMPROVISO. “A música é capaz de moldar os comportamentos, ditar tendências e até mesmo definir estilos de uma sociedade. Seja na base do arranjo, do planejamento – ou mesmo na raiz do improviso – o fato é que esse conjunto de melodias mexe com nossas emoções e atitudes. E é com o intuito de discutir esses movimentos que a coluna MÚSICA DE IMPROVISO se apresenta no pedaço!”
  • Magal Melo, além da sua coluna CRÔNICAS DA CIDADE, assume a nova coluna  mensal ARTISTA DA VEZ. “O artista da vez é um espaço para divulgarmos nossos artistas, seus talentos, suas obras, seu tempo de arte, seus novos trabalhos e seus contatos.

Conheça mais sobre nossos colunistas:

ADRIANO SIMPLÍCIO, CLÁUDIO FERREIRA, GLEYCI KELLI, JAMESSON VIEIRA, MAGAL MELO, PAULO OLIVEIRA, ROBERTO PENIDES.

Esperamos que cada vez mais, nosso blog esteja atendendo os desejos de nossos leitores, e cada vez mais, satisfazendo cada um de vocês. 2014 promete aqui no Blog Camaragibe dá Vez!!!

Por Paulo Oliveira

Editor do Blog

Camaragibe é bem maior que sua decoração de natal ou Aí dentro, papai Noel.

Estava fora da cidade e assim quando cheguei ansioso para ver as pessoas e em busca do espírito de Natal, fiquei alguns minutos reparando e buscando compreender o que era aquilo. Os enfeites para o festejo natalino estavam, na minha opinião, feio, sem nexo e equivocado. Uma celebração mal feita ao Papai Noel do consumo, exclusão e soberba e de beleza questionável e duvidosa. Puseram o representante da Coca-Cola e dos Shoppings Centers sentado para receber os moradores e os visitantes. Esquecendo assim que quem estava completando ano era o Nosso Senhor Jesus Cristo e o que devemos valorizar são os nossos valores culturais, não os extraterrenos. Vi que colocaram outro no alpendre do Teatro. Ou seja, embora ele ainda não esteja pronto, funcionando corretamente há muito e sem previsão, já estão papagaiando o negócio.
E tem mais, o Papai Noel da decoração de Camaragibe possivelmente teria artrose, pois não consegue dobrar as pernas, mesmo sentado no alpendre. E ele é muito distinto dos que vejo por aí, deve está desnutrido, pois ele é magrinho e tem a roupa justa. Vergonha alheia de quem fez.
Fosse só isso tudo bem, colocaram ainda umas lâmpadas em alguns postes e arbustos que vou te contar. Sem qualidade nem estética, tortas e sem unidade.
Comentando nas redes sociais, todos concordaram, exceto uma garota que está trabalhando no Baile do Menino Deus, que é uma peça de teatro que retomaram este ano. Acho bacana. Não pude assistir. Mas, é importante que exista. Embora que este texto já está muito batido e é um pouco difícil para competir com a mega montagem do Recife, eu sugiro um novo e inédito texto para o próximo ano. E que integre mais pessoas de distintos grupos da cidade.
Neste leve bate-boca virtual, disseram que só acharia feio quem fosse um analfabeto cultural. Talvez eu seja. Mas, ainda, eu com toda minha educação de berço, disse-lhe; Claro, você está certa, eu só estou apenas repetindo o que o povo está dizendo. Pois o povo entende e sabe quando se faz meia boca. Porque de gambiarra o povo entende. Quem fez esta decoração, fez com pressa ou com raiva para ficar tão mal acabado. Ou ainda estão querendo queimar o prefeito. Agora, ela teria o direito de defender, pois possivelmente estaria recebendo para isso,
Por motivos idiossincráticos mesmo que não gostei da decoração natalina de Camaragibe. Talvez haja quem goste.
Outro colega, disse que: Isso é o que dá quando se colocam pessoas que não entendem de nada nos setores públicos e empregam apenas por participação política na campanha eleitoral ou indicação de alguma liderança cooptada. Camaragibe tem muitos artistas bons que dariam um show na decoração de nossa cidade e se dessem oportunidades para os verdadeiros artistas, estes teriam realmente realizado uma bela decoração por que ponto para fazer decoração tem, só não deram oportunidade para os verdadeiros talentos. Concordo plenamente. E por coincidência eu falei o que acho interessante sobre este mesmo assunto na coluna anterior. Ainda teremos que aguentar até o dia 6 que é o Dia de Reis, quando a tiram. Ou deixarão mais um pouco se acharam tão bonito. _ Aí dentro, Papai Noel, diria um amigo meu!
Querelas a parte, desejo desde já, a todos e todas, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. E um grande abraço.

Por Magal Melo

* Foto de Kelly Bastos