Em tempos de eleições 01

A partir de hoje minha nova série vai AO AR aqui na coluna Música de Improviso: “EM TEMPOS DE ELEIÇÕES”

A série vai consistir em pegar trechos de músicas e tentar associa-las ao período das ELEIÇÕES. E para começar, ninguém melhor que o BEZERRA com a canção “Candidato Caô, Caô”:

“… Meu irmão, se liga no que eu vou lhe dizer:
‘Hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe prender!’
Hoje ele pede o seu voto, amanhã manda a polícia lhe bater!’…”

Tem candidato, por aí, que este discurso cai muito bem. Sobretudo quando ele faz promessa de proteção (segurança pública) – mas a única preocupação dele é mandar patrulhar o bairro de CLASSE MÉDIA (como essa classe virou escrota) e se algum favelado aparecer por lá (preto, de preferência) a polícia tem ordem de abordar, constranger, abusar do poder e se puder bater também!”

Como diz a própria canção: esse tipo de POLÍTICO é cerol fino. PERIGOSO DEMAIS!!!

Por Jamesson Vieira

Insensibilidade histérica de um coletivo fanático, ou doença de uma gente insensível?

Insensibilidade histérica de um coletivo fanático

Que a internet é uma ferramenta, hoje, importante para a “informação” e quase que indispensável para a manutenção de nossas relações – ela é. Entretanto, este mesmo ambiente cibernético nos proporciona – de maneira infeliz – as mais variadas situações de desumanidade, que vai do xingamento alheio gratuito até as mais diversas formas de preconceito. E quando uma tragédia acontece, ela nos apresenta um grupo – que para falar a verdade eu não sei se são loucos apaixonados por convicções ou doentes exauridos de sensibilidade.

Ontem, 13 de agosto, fui novamente (e aí eu me incluo como real expectador desse circo de horrores chamado “Terra da Insensibilidade”) tocado negativamente por comentários de gente escrota. Nesta data, uma tragédia que vitimou fatalmente o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e mais seis pessoas (entre elas quatro assessores e dois pilotos) – trouxe as redes sociais essas tais pessoas que me deixam na dúvida entre a histeria ou a doença presente em suas cabeças.

E se não bastassem às brincadeiras com as dores de uma tragédia, há também um discurso sério de uma galera que cria as mais mirabolantes situações – na tentativa de ganhar mídia – para justificar o acontecido.  O lamento nunca vem em tom de condolências à família (neste caso famílias) dos que partiram. Geralmente, ele vem em forma de palavras insensíveis – duras de ler e ouvir até para quem se declarava “inimigo” da (s) vítima (s).

Mas em meio a essa patologia coletiva que assombra a internet, uma lição ficou clara para mim – ao menos neste fato trágico: política não ficou para quem é um fanático histérico, nem muito menos para quem é um doente insensível. A política ficou para aqueles – que como o próprio nome diz, sabem ser políticos.

Falo isso porque um seleto grupo – que chegou a citar a solidariedade das pessoas, aos familiares das vítimas, como “comoção seletiva” – não pode se dizer politizado. É um bando de gente precisando, antes de mais nada, entender que adversário também merece respeito. É aí onde percebo quem se difere dessa histeria doentia insensível (um mix mesmo).

Às vítimas da tragédia eu deixo meu desejo de descansem em paz e aos seus familiares meus mais sinceros pesares.

Por Jamesson Vieira

Em clima de Copa, música tem tudo a ver com futebol.

TEXTO 08 - Em clima de Copa, música tem tudo a ver com futebol

E quem pensa que durante a Copa só as ruas das cidades habituam ficar coloridas – de verde e amarelo – está enganado. Além dos comércios, das calçadas das casas, das fachadas dos apartamentos e das roupas das pessoas – a música também costuma se pintar de Copa do Mundo. Seguindo esta máxima, isso não seria diferente com o Mundial de Futebol realizado aqui no Brasil. Em meio a todo esse colorido, uma avalanche de músicas toma conta das rádios e playlists país – algumas ruins, outras muito ruins e umas boas que conseguem salvar a graça de ouvi-las.

Junto com essa grande quantidade de músicas, um enorme número de críticas vem acompanhado. Dessa vez o carro chefe da sabatinada popular se deu por conta da canção oficial do Mundial intitulada de “We are One (Ole ola)”. A música inclui trechos em português, espanhol e inglês – é interpretada pelos cantores norte-americanos Pitbull e Jennifer López, e pela “brasileiríssima” (em breve essas aspas serão justificadas) Claudia Leitte.

A música cantada pelo trio é faixa principal do álbum oficial da FIFA intitulado de “One Love: One Rhythm”. Neste CD aparecem outros cantores brasileiros como Alexandre Pires, Arlindo Cruz, Preta Gil. Bebel Gilberto, Carlinhos Brown e a banda Psirico com seu famoso “Lepo Lepo”. Mas nenhum desses artistas foi mais criticado que a Claudia Leitte. E isso se deve por conta de uma canção fraca – “We are One (Ole ola)” – e de um clipe mais fraco ainda produzido para esta canção.

A escolha dos intérpretes deixa clara a intenção de dar um toque latino a composição, visto que o rapper Pitbull tem suas origens cubanas e a Jennifer López porto-riquenha. Porém, o tempero mais importante faltou na música: a ginga essencialmente brasileira. A cantora Claudia Leitte assumiu um papel de coadjuvante em um lugar que ela deveria ser principal. E o pior, em sua participação ela se deixou levar por “swing” totalmente americanizado – daqueles que parece jingle de gringo para comercial de cerveja importada que está chegando no Brasil.

Após duras críticas recebidas pela canção, a FIFA resolveu colocar mais “brasilidade” na música atribuindo o peso da percussão afro baiana, a chamada Olodum Mix. Além disso, se sabe que na cerimônia de abertura da Copa a banda Olodum tocará ao lado do trio principal da música.

A menos de 10 dias para o início da Copa do Mundo, podemos dizer que a música feita para representar o Mundial do BRASIL (é bom frisar isso), não tem a cara do país. Ao contrário dos tempos de outrora – onde o “Pra Frente, Brasil” virou hino na Copa de 1970, no México; o “Deixa a Vida Me Levar” em 2002, na Coréia e Japão – agora nos vemos de mãos atadas sem saber o que realmente nos representará.

Entre as muitas canções que aparecem: “Todo Mundo” da Gaby Amarantos, “Gigante do Amor” da Fernanda Brum (é, tem gospel também no páreo), “Força, Raça e Fé” do Thiaguinho, “Gol, Faz a Massa Delirar” do Naldo (até ele entrou na disputa) – talvez a que mais se destaque e seja inspiradora para a Seleção Brasileira é a do MC Guimê chamada de “País do Futebol”. Até o clipe desta canção é interessante de assistir.

No mais, uma coisa é certa: “Música e Futebol tem tudo a ver!”.

Por Jamesson Vieira

Sabedoria Vaginal: um mundo de possibilidades e ensinamentos!

Há quem pense por aí que o corpo humano é óbvio na hora de se comunicar. Apenas mãos, olhares e tudo mais contido na face são capazes de dizer algo – falar e ser entendido. Engana-se quem pondera assim, existem muito mais bocas espalhadas pelo nosso organismo. Assim como o pênis, a vagina – por exemplo – tem sua forma própria de falar e melhor, de nos ensinar a ser mais “perfeitos” (embora que seja metaforicamente falando).

E seguindo este raciocínio, algumas mulheres trazem entre suas pernas uma verdadeira “bíblia” filosófica, biográfica e sexual. Elas possuem uma vagina cheia de encantamento e sabedoria – capazes de fazerem homens rastejarem aos seus pés. E não pense que essa “instigada submissão” é um vazio de certezas aonde não chegará a lugar nenhum – pois, a viagem é certamente garantida.

Mas para que essa narrativa tão complexa sobre sabedoria vaginal seja entendida – é preciso que a mulher se liberte de medos e de inseguranças bobas; que ela perceba que a ejaculação não chega só abrindo as pernas, o prazer real do gozo costuma estar na atmosfera ao seu redor. Afinal de contas, a libido feminina não é tão obvia quanto à masculina. O apelo sexual não é meramente visual ou carnal – a vagina molhadinha não costuma se atrair apenas por receitas genéricas de tesão como um pau grande ou uma conta bancária pomposa (como dizem por aí).

E não se surpreenda quando elas disserem que gostam mais do ser CAFAJESTE (seja uma mulher, ou um homem). Pois eles costumam entender bem essas “entrelinhas vaginais”, eles/elas (as/os tais cafajestes) fazem as mulheres perverterem suas mais intensas convicções e é isso que elas querem. Se você conhece aquela expressão: “Gozar pelos ouvidos”, vai entender do estou falando. Elas não querem um indivíduo com mais pudores que elas. Ou sabe ser safado(a) na hora certa, ou é melhor procurar um reino encantado qualquer para bancar o “príncipe”.

Tenha a certeza que para as mulheres a inesquecibilidade (nem sei se existe esta palavra) do momento é muito mais valioso que sua ejaculada. Elas até gozam, mas a sensação será sempre de não foi completo. Se a mente feminina é misteriosa, cheia de contradições e dúvidas – por que sua vagina não seria? Assim como os homens que fazem do pinto a extensão de sua cabeça, as mulheres também fazem de sua xoxota o mesmo. A grande diferença é que elas possuem filtros que eles não possuem. E aí, meticulosamente, elas apreciam com mais qualidade os detalhes de uma transa.

A sabedoria vaginal é paradoxal e ao mesmo tempo axiomática. A buceta, xoxota, pepeca – dê o nome que quiser – tem uma abertura discreta a ser receptiva quando quer e não adianta forçar a barra. Ela gosta de movimento, de cadência, de jeitinho e assiduidade. Seus pontos de prazer não são nada óbvios, demandam criatividade e curiosidade. Ela ensina que há sempre alternativas para não perder o tesão e todas essas exigem estímulo e muito carinho. Não se lubrifica a mente sem doses de excitação, com a vagina não seria diferente.

Não se avexe não. Todo esse mundo de possibilidades e ensinamentos presentes em uma “perereca” não podem e não devem te assustar. Perca o medo entendendo que, seja você mulher ou homem, o espaço vazio dentro de uma vagina oferece a chance de ser preenchido não só com um pinto ou um dedo – mas principalmente com a imaginação.

Por Jamesson Vieira

Nessa “terra dos macacos” ser humano não importa!

Nas últimas semanas andei em dívida com vocês caro amigos leitores. Devido às atribulações da vida não tive como postar os textos dessa coluna. Mas enfim, estou de volta.

Ainda a respeito dos últimos dias – dois assuntos, bastante repercutidos nas mídias sociais e nos veículos de TV, me fizeram refletir sobre eles e principalmente a respeito da nossa realidade social, de um modo em geral. O primeiro é em relação à morte do jovem dançarino do programa Esquenta, da emissora Rede Globo. E o segundo é referente à “febre” de combate ao racismo que teve como carro chefe a hashtag “#SomosTodosMacacos”.

Antes de qualquer coisa, quero que saibam que não irei me aprofundar nos detalhes da morte do jovem dançarino da Globo, Douglas Silva (mais conhecido como DG). Gostaria mesmo era de levantar alguns questionamentos a respeito desse triste episódio. Até agora nenhuma das linhas de investigação apontam que o rapaz tinha envolvimento com a criminalidade. Porém, o que vi nas redes sociais foi uma onda de pessoas afirmando que o rapaz era bandido e que não haveria motivo para lamentar a morte dele.

Então quer dizer que o Douglas era bandido? Era bandido por que era preto? Ou por que morava na favela? Ele era criminoso por que quem a polícia mata é sempre delinquente? Se a respostas para algumas dessas perguntas ficaram vagas é porque isso prova que no Brasil negro favelado tem um pé na criminalidade – pelo menos na cabeça dessas pessoas que afirmaram, sem prova alguma, que o DG era um mau elemento.

Eu disse que não iria falar da morte dele e não irei mais. Quero falar a respeito do que isso representa. O DG era mais um desses pobres, negros, favelados, estigmatizados e que quando morrem viram estatísticas, ou melhor, continuam sendo estatísticas – só que dessa vez da morte. Agora, nesse exato momento, outros DGs estão perdendo a vida e você aí achando que luta contra o fim da violência dizendo “BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!”. Enquanto negro eu tenho medo de ser confundido na rua com um marginal só pela cor da minha pele, apanhar e no outro dia aparecer morto com um tiro nas costas. E pelo andar da carruagem é bem capaz que apareça alguém dizendo que morri por ter envolvimento com traficante.

O segundo assunto que eu gostaria de tratar e deixar bem claro aqui é que “Não Somos Todos Macacos”. Regredir estágios na cadeia evolutiva para justificar que estamos “evoluindo” é incoerente e ao mesmo tempo reafirma discursos preconceituosos. Eu ainda não sei por que devo me considerar um macaco – não que eu ache isso uma das grandes ofensas e tal – mas, eu pensava que já teríamos evoluído para o estágio HOMO SAPIENS – ser racional, pensamente e principalmente humano.

Não somos e nem de longe representamos igualdade. Há “macacos pretos” que ainda são confundidos com bandidos e levam tiros nas costas. Há “homens” que acreditam realmente que comendo uma banana na frente do computador prova que não é racista. Nesse trocadilho de quem é macaco e quem é ser humano, fica evidente que a realidade é outra – a selva de pedra, cheia de grades é reduto de negro que passou a vida inteira agindo com irracionalidade. E o mundo virtual cheio de boas intenções pode ser apenas um extensor de estereótipos preconceituosos.

Ah… E para você que aderiu a campanha e costuma abrir a boca para desqualificar a luta de negros por igualdade, dizendo que nesse país não existe preconceito de cor – ou que julga precipitadamente preto, pobre e favelado de bandido – saiba que você só não é o RACISTA que atira as bananas porque tem medo que elas lhes falte na hora da foto para o facebook.

P.S.: Perdão MACACOS por ter gente se comparando a vocês!

Por Jamesson Vieira

Orgasmos Musicais: sensações máximas e múltipla

A música é tão fascinante que em suas mais variadas sensações transmitidas, ela pode ser comparada com diversas relações pessoais e interpessoais do nosso cotidiano. Todo êxtase, ou mesmo todo marasmo provocado por ela nunca, mas nunca mesmo, passa despercebido – seja de forma consciente ou inconscientemente falando. Há uma magia relativamente inexplicável nesses emaranhados e distintos sons produzidos mundo a fora.

O tal êxtase musical é muito mais que uma experiência mágica. Único como só ele é, esse arrebatamento dos sons são motivamos por inúmeras situações vividas, que podem se manifestar desde as formas mais simples, como aquele sorriso de orelha a orelha; das lágrimas que insistem em cair de seus olhos; da pele que fica arrepiada do nada – até em estados mentais e espirituais bem mais complexos, com sensações extremas que faz a pessoa sair de seu corpo e viajar a lugares jamais explorados.

E quem está imune a viver uma disfunção psíquico-espiritual, justamente nesta época que tem gente se matando por nada? Não se pode viver enclausurado em sua própria mente por conta de pequenos conflitos pessoais do dia a dia. Decerto, é quando a música entra em cena e pode proporcionar o deleite necessário para ser conduzido a níveis emocionais altíssimos, onde o êxtase, ou orgasmo musical – como queiram chamar, te fará ter frissons inconfundíveis.

Ao pé da letra, orgasmo é o mais alto grau de satisfação que se busca para atingir a plenitude das sensações. É fato que qualquer pessoa normal e que costuma ouvir músicas, mesmo que ainda apele para um radinho a pilhas, costuma buscar essa tal satisfação – seja rememorando algo já vivido ou idealizando alguma coisa que queira viver. E quando seu coração acompanha o ritmo que sua vida se identifica, é com mistério que uma grande alegria te invade – seu corpo, antes tomado por uma inércia sem graça, recebe agora uma descarga violenta de energia cósmica, que sabe se lá de onde vem. Não existe tristeza, não existe frustração. Só existe aquilo que você sente e é apenas aquilo que te deixa em transe, que te leva à loucura.

Não há explicação lógica, objetiva para definir com exatidão o que é o orgasmo musical. Embora a ciência sugira que isso pode ser um dos motivos que leva as pessoas a valorizar a experiência de ouvir música, o que se sabe é que quem o tem, não fica só com os cabelos em seus braços de pé ou com algum formigamento em sua coluna – geralmente a pessoa inunda todo o seu corpo com a música e com esse tal frisson.

Viver um orgasmo musical não é algo comportamental, mas é uma experiência totalmente diversa da que se tem ao praticar qualquer outra ação do dia a dia – como dormir ou comer. Deleitar-se com a música é uma coisa que só entende quem percebe que não é uma necessidade. O que se pode classificar de êxtase é outra! É sentir a mente se descolar do corpo, partir rumo a plagas distantes e por lá perambular. É elevar tudo a uma potência alta, capaz de ecoar dentro do peito as melhores sensações.

Orgasmo musical é como ouvir Maria Bethânia cantando “Baila Comigo” e “Shangrilá”, rolando pelo palco como se estivera sendo tocada voluptuosamente por alguém. É como ouvir Simone cantando Gonzaguinha e achar que só ela é capaz de cantar aquilo. Ter orgasmos musicais vai muito do que você gosta de ouvir – principalmente!

Por Jamesson Vieira

Funk: música de estereótipos, apologias e do coletivo social favela

TEXTO 06 - Funk música de estereótipos, apologias e do coletivo social favela

O funk, enquanto gênero musical, agrada e desagrada multidões. Já enquanto manifestação social, ele é taxado como um movimento de grande importância para se entender os processos sociais – dentro e fora das favelas.

Mas calma, a música em questão não é aquela da segunda metade dos anos 60, originada nos bairros negros norte-americanos, que fez sucesso na voz de James Brown e misturou soul, jazz e rhythm and blues em uma só batida dançante. O som de que se fala tem influência direta do miami bass e do freestyle. Tornou-se popular e um dos grandes fenômenos musicais brasileiros a partir dos anos 80, mas só na década que 90 que o funk passou a ser febre em todo o Brasil, graças – muito – ao DJ Malboro (ícone desse movimento musical).

Com o passar dos anos, cada vez mais, este som – intitulado de funk carioca – passou a ser malvisto pela sociedade. A música começou ganhar aspectos bem triviais e suas letras passaram a levantar bandeiras contestáveis – fazendo apologias a promiscuidade, a criminalidade e, por ora, também a promoção do abuso sexual infantil – os chamados “proibidões”. O alto índice de violência dentro dos bailes funk e a desvalorização feminina nas letras das canções, foram outros agravantes que fizeram este “fenômeno musical” ser detestado por grande parte da sociedade.

Mas o funk não pode ser visto todo como uma música de apologia as coisas ruins. Já na década de 90, as letras das canções falavam das favelas como parte importante do contexto social das cidades. Os grandes sucessos, daquele momento, exaltavam as comunidades carentes – principalmente do Rio de Janeiro – e levantavam questionamentos admiráveis como o preconceito com a periferia. Ainda naqueles anos, as músicas românticas e irreverentes – com brincadeiras de duplo sentido (nada tão chocante) – ganharam destaque e tiveram como grandes representantes os cantores MC Marcinho, MC Goró, Bob Rum e as duplas Márcio & Goró, Cidinho e Doca, Claudinho e Buchecha (estes, talvez, os mais respeitados e admirados cantores de funk até hoje pela sociedade).

É evidente que há uma série de ações de negativas vinculadas ao funk, mas não se pode negar a importância desse tipo de música para o debate social. Atuações positivas, como os próprios bailes funk nas comunidades, que são fruto da falta de acesso aos equipamentos de cultura e lazer, levantam a discussão aspectos interessantes sobre a cultura de massa – sobre ideias, perspectivas, atitudes e imagens ligadas às periferias, onde as pessoas querem ter o direito de se divertir e se identificarem com o som do qual escutam. Como já dizia a canção: “Eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci. Poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar…”

Em meio a todo este universo de estereótipos, há moralismos em excesso (por parte da sociedade) e falta dele (por parte de quem faz o funk). É fácil notar, também, que existe uma enorme gama de preconceitos embutidos de ambos os lados – de quem faz e gosta da música e de quem a crítica. Seja na periferia ou nos bairros nobres, esses elementos de morais e discriminação estão presentes. Não se pode esquecer que o funk é uma música jovem e é feita em sua grande maioria por uma juventude que ainda está vivendo experimentações. A sexualidade ainda é vista por esta faixa de idade como algo novo, é normal que se ostenta a vida boa com roupas de marcas e grandes carrões, é preciso saber que para um garoto da favela – talvez, isso não é uma regra – a única referência de poder é o do traficante e das armas.

Cabe ao Estado o papel de informar e garantir que riscos a saúde e a vida não aconteçam.  É importante que a sociedade também reconheça no funk a identidade de um povo. Há quem não se identifique dentro das comunidades com o som e muito menos com as letras dessas músicas, mas há também o inverso disso – quem se identifica e precisa de alguma maneira mostrar que existe, que também faz parte daquela sociedade.

O debate sobre a qualidade musical do funk pode e deverá se estender ainda mais nessa coluna. A priori, esta discussão quer apenas apresentar que há contextos a serem debatidos.

Por Paulo Oliveira

Não me admira que uma sociedade machista justifique o estupro!

Na semana passada o Brasil revelou, através do resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o quanto ainda existe uma podridão machista entranhada em suas veias sociais. E pasmem! O pior de tudo isso é que estes pensamentos repugnantes são cotidianos e as pessoas quase não percebem – assim eu acredito.

O Estudo realizado pelo IPEA revelou que 65% dos brasileiros concordam que as mulheres que usam roupas curtas merecem ser estupradas, em palavras mais brandas, elas seriam culpadas por provocar a violência da qual sofrem. A entrevista contou com a participação de 3.810 pessoas de ambos os sexos e foi feita entre os meses de maio e junho do ano passado. Além deste resultado, a pesquisa trouxe outros números impactantes referentes ao assunto – mas não estamos aqui para debater estatísticas simplesmente.

Em meio à euforia causada pelo resultado da pesquisa, o que me deixou mais preocupado foi a surpresa causada por ela. É como se as pessoas não tivessem consciência do panorama social em que vivem. Não fizessem questão de admitir o quanto machista é o país em que elas habitam. Isso é preocupante, até mesmo revoltante.

Como seria possível que uma sociedade, como a nossa, que separa e qualifica as mulheres como “BOAS para casar” (aquelas que sabem praticar bem os afazeres domésticos, servir seus maridos, não usam roupas “vulgares” e não vivem em festas) e RUINS para o matrimônio (o avesso das ditas como boas) não fosse machista? Como seria plausível obter um resultado diferente desta pesquisa se no cotidiano você costuma chamar de “vagabunda” toda mulher que diz gostar de sexo? Ser presumível ter outros números se você tem o hábito de tachar como “cachorra” a mulher que, assim como um homem, fica com várias pessoas? De chamar de “vadia” aquela garota que faz quadradinho de oito, que adora dançar funk e que usa um shortinho curto para não perder o rebolado? De avocar o nome “puta” para toda mulher após uma discussão, como forma de xingamento para denegrir a imagem dela? Sinceramente, eu acho impossível que a realidade seja oposta, a esta que a entrevista revelou, com tanto machismo entranhado em nosso dia a dia.

Esse hábito social de tentar controlar as mulheres, suas sexualidades, suas autonomias e seus corpos – é literalmente misógino. É como se a mulher fosse sempre o pedaço de carne no prato, pronta para ser ingerida ou descartada. Isso nada mais é que o fruto de uma sociedade machista, em que até hoje, o sexo feminino é visto como troféu – onde as mulheres são meros objetos disputados entre os “machões” e que nessa disputa, muitas vezes, o resultado é a violência física: o estupro!

Enquanto estes pensamentos machistas fizerem parte de nosso cotidiano o processo de conscientização caminhará a passos lentos. O Governo, enquanto autoridade maior, deve ser o grande agente de transformação dessa sociedade, pois é ele o único capaz de oprimir com punição qualquer tipo de violência, neste caso contra as mulheres.

E se você for mulher, saiba que nesta pesquisa a grande parte desses 65% era do sexo feminino – o que isso quer dizer? As mulheres precisam começar a desconstruir o discurso machista dentro de suas próprias cabeças. Precisam combater essa ideia preconceituosa a partir de si mesmas. A luta é difícil, pois sabemos que nesse caso a mulher também é uma vítima desse sistema misógino e talvez sem muita consciência ela acabe compactuando com estes pensamentos machistas.

O estupro não tem justificativa. A mulher tem todo o direito de andar com a roupa que deseja, tem todo o direito de dançar como bem entender, tem todo o direito de escolher com quem quer fazer sexo ou não. Justificar este tipo de violência pode ser tão cruel quanto praticá-la.

Por Jamesson Vieira

O amor anda carente de liberdade e de empatia!

Cada dia que passa surge, mais e mais, indivíduos alegando dificuldades na hora de encontrar e viver um grande amor. O raciocínio lógico, ou, diria comum – das pessoas – as fazem colocar no mundo uma responsabilidade, que muitas vezes não é dele, no insucesso de suas relações.

Ao fim do caso amoroso, o outro será quase sempre tachado como incapaz, imaturo e IN-SU-FI-CI-EN-TE (soletrado mesmo) na oportunidade de nos fazer feliz. Mas por onde anda a tal troca de sentimentos e liberdade neste instante? Não será muito mais culpa nossa?

Não pense que as respostas para tais perguntas percorrem um simples caminho. Na maioria das vezes elas precisam passar pela admissão de grande auto responsabilidade no processo – e é justamente isso o mais doloroso, pois nem todo mundo (e isso inclui você e eu) está aberto ou habilitado para uma relação a dois.

Raciocine comigo: Será mesmo fácil nos adequarmos aos gostos alheios e em contra partida disso, ser difícil para o outro (a) respeitar nossos anseios? Negociar espaços, vontades, prioridades e valores pessoais são tão simples para nós? Acho que não. Isentar-se da “culpa” de um amor não dá certo é prova, mais que concreta, que você sempre se faz de vítima e possui um egoísmo fóbico.

Assim como em tudo na vida, no amor também pecamos por excesso. Confiar que você sempre é verdade, é viver a mentira duas vezes: uma quando se mente para o mundo e outra quando se mente para si mesmo. Percebe-se, que em tempos atuais, para parecer feliz aos outros é esperada certa dose de euforia e aceleração. Sem isso as pessoas julgam a outra lerda, apática ou infeliz.

O ser feliz de muita gente demanda atenção exclusiva durante vinte e quatro horas ou promessas de amor constantes. É aquele “EU TE AMO” mais prosaico que respirar, é tornar o amor uma obrigação de viver, é a jura de eternidade e a garantia de que nada vai mudar demasiadamente entediante. Isso eu chamo de doença.

Que danado de amor é esse que sufoca, sufoca e mesmo depois de chegar ao fim continua sufocando com acusações, o que no começo eram só cobranças? Por onde anda a liberdade de um casal fazer programas juntos e separados?

A diversão de viver unido é existir apartado. Cada um prezando por sua privacidade e respeitando a do casal. Ser feliz no amor exige um tanto de liberdade e doses caprichadas de empatia. Amor não falta, o que falta é sabedoria para entender que tudo em excesso faz mal, já que sem ela as relações podem ser mais letais que benéficas.

E quando você, ou melhor, a gente perceber que incapaz, imaturo e insuficiente é tudo aquilo que fazemos pelo amor por uma mera obrigação. Enquanto as pessoas estiverem preocupadas em eternizar as relações, deixarão de lado o desígnio maior: SEREM FELIZES nelas!

Por Jamesson Vieira

Clube da Esquina: único e inesquecível em seus mais de 40 anos

Sabe aquela obra prima que deve ser constantemente reverenciada? Aquela que de tão marcante é capaz de mudar a vida das pessoas – tantos os envolvidos direto com ela, quanto os indiretamente? Aquela invenção que nunca envelhece, que é atemporal – que fala do tempo misturando passado, presente e futuro? Pois bem. A obra em questão é nada mais, nada menos que o “O Clube da Esquina” – um dos discos e um dos movimentos musicais mais importantes para a música brasileira.

No mês de março o álbum “Clube da Esquina” (1972) completou 42 anos. O disco foi lançado, no Brasil, pela gravadora EMI-Odeon e chegou a ser eleito pela revista americana Rolling Stone como o sétimo melhor disco brasileiro de todos os tempos. Mas o “Clube da Esquina” foi muito mais que um LP, ele foi – ou melhor – é também um dos movimentos musicais mais significantes para a história deste país.

Já durante a década de 60, Milton Nascimento e Lô Borges lideravam este movimento. Em 1970 os cantores em parceria com o também cantor Márcio Borges compuseram a canção “Clube da Esquina” e que a partir dela tudo iria ganhar proporções significativas no cenário musical da época. O “Clube da Esquina” pode ser considerado uma das primeiras obras nacionais gravadas em LPs duplos. Outros artistas como Marilton Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, 14 Bis, Wagner Tiso, Ronaldo Bastos e Fernando Brant – viriam a se juntar ao grupo trazendo novas ideias e agregando ao movimento ainda mais brilhantismo. As composições engajadas e cheias de poesias eram o grande diferencial do clube, que tinham como referência o rock dos Beatles.

Como foi dito antes, o “Clube da Esquina” continua jovem – ele é universal e carrega uma gama riquíssima de sentimentos e qualidade musical. Fã declarado, o engenheiro civil João Carlos, acredita que o “Clube da Esquina” é muito mais que um simples movimento musical. “Tudo ali é inovador: arranjos, letras, melodias. Cada vez que eu escuto uma canção desse movimento fico emocionado. O Clube da Esquina tem o poder de mexer com nossos sentimentos. Ele é simplesmente surreal”, disse.

Segundo a estudante de nutricionismo Jéssica Batista (29), foi através da canção “Nada Será Como Antes” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) que o seu amor incondicional pela música – principalmente a mineira – ganhou forma. “Lembro que era pequena e meu pai estava escutando o LP do Clube da Esquina quando então começou a tocar ‘Nada Será Como Antes’. Eu não entendia muito bem de música na época, mas sei que aquilo mexeu comigo. Então daí por diante eu sempre enchia o saco dela para escutar esta canção”, relembrou a estudante.

Falar de Música Popular Brasileira e não citar o “Clube da Esquina” chega ser um pecado mortal. Quem não conhece este movimento musical pouco sabe de MPB e talvez nem goste de uma música de qualidade. O “Clube da Esquina” marca a história das boas composições nacionais e serve como emblema de uma nova e característica MPB. O movimento, o álbum, os cantores – todos são verdadeiras jóias do Brasil. E como toda obra inesquecível, este diamante chamado “Clube da Esquina” deve ser sempre venerado.

Por Jamesson Vieira