Fundação de Cultura de Camaragibe convoca segmentos artísticos para encontros

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A Prefeitura Municipal de Camaragibe, através da Fundação de Cultura, promove série de encontros com os segmentos artísticos da cidade entre os dias 31 de março e 18 de abril. O objetivo é estabelecer um planejamento de ações para o setor cultural ao longo da gestão.

Os horários e dias variam de acordo com cada segmento, conforme informações abaixo:

MÚSICA – 30/Mar – 19h
Centro de Criatividade Musical Raminho do Trombone (Alto da Boa Vista)
ARTES VISUAIS – 31/Mar – 19h
Cineteatro Bianor Mendonça Monteiro (Vila da Fábrica)
AUDIOVISUAL – 04/Abr – 19h
Cineteatro Bianor Mendonça Monteiro (Vila da Fábrica)
LITERATURA – 05/Abr – 14h
Biblioteca Municipal Penarol (Vila da Fábrica)
CULTURA POPULAR – 06/Abr – 19h
Centro de Criatividade Musical Raminho do Trombone (Alto da Boa Vista)
PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL – 07/Abr – 19h
Cineteatro Bianor Mendonça Monteiro (Vila da Fábrica)
ARTESANATO – 12/Abr – 14h
Cineteatro Bianor Mendonça Monteiro (Vila da Fábrica)
ARTES CÊNICAS – 18/Abr – 19h
Cineteatro Bianor Mendonça Monteiro (Vila da Fábrica)

Teatro Camará é arrombado e roubado em Camaragibe

teatroteatro camara

No último domingo (14), o Teatro Municipal Bianor Mendonça Monteiro, mais conhecido como Teatro Camará – localizado em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife – foi arrombado e teve parte de sua fiação elétrica roubada. O equipamento cultural, fechado desde 2013, está passando por reformas e tem previsão de reabertura para outubro de 2016. A classe artística local reclama da falta de segurança e do descaso da atual gestão para com a cultura do município.

O membro do Conselho Municipal de Cultura de Camaragibe e representante do segmento de Artes Cências da cidade, Ângelo Fábio, falou ao Portal LeiaJá, por telefone, sobre o incidente: “O conselho recebeu a informação através da Fundação de Cultura. O roubo aconteceu um dia antes da religação da energia elétrica do teatro”, contou. Ele também informou que foi feito um Boletim de Ocorrência por parte da Fundação e, agora, a classe artítica espera pelo andamento das investigações e pelas providências que serão tomadas para que “os artistas e a sociedade não fiquem ao léo”.

O Teatro Camará é o único espaço deste tipo na cidade. Fechado desde 2013 para reformas, a população e os artistas esperam que o cine-teatro possa ser reintegrado à intensa produção cultural de Camaragibe. “Em termos de equipamento cultural no município, ele é o que tem a maior infra estrutura e é um símbolo de luta nos movimentos das artes cênicas. Este roubo foi um susto. Você vê aí o descaso, a falta de segurança pública e patrimonial que enfrentamos. O Conselho Municipal vem discutindo cultura na cidade de forma bastante intensiva e lutando pela questão da política cultural diante dos poucos investimentos neste sentido que a cidade enfrenta”, afirmou Ângelo.

O presidente da Fundação de Cultura Turismo e Esporte de Camaragibe, Uel Silva, também falou sobre o caso. “O prefeito já autorizou a compra de novos cabos e amanhã – quarta (17) – uma empresa de engenharia vai ver o espaço para uma reforma que já estava programada”, afirmou Uel. Ele também comentou que serão feitas adequações no projeto de reforma do teatro para que este possa ser reinaugurado no dia 23 de outubro deste ano, durante o Festival Nacional de Teatro Risadinha, “O projeto foi concebido de forma errada pela gestão passada, sem uma discussão com o movimento cultural. Não quisemos reabrir o teatro antes sem condições técnicas de funcionamento e este incidente não vai atrapalhar em nada o processo de reabertura”, disse.

Segundo o presidente, serão revitalizados os equipamentos, cortinado, cochias e também haverá um cuidado com a acessibilidade do lugar. Todas as medidas foram determinadas após plenária com os artistas da área: “Criamos uma comissão com os próprios artistas para acompanhar o andamento das obras porque eles é quem sabem do que o teatro precisa para funcionar”, explicou Silva. Sobre as reclamações que dão conta do descaso com a gestão com a cultura local, Uel declarou: “O nosso grande desafio é o Plano Municipal de Cultura. Semana passada conseguimos inserir Camaragibe no Sistema Nacional de Cultura e, queremos promover conferências com todos os segmentos para montar este plano e aprová-lo até o fim deste ano”.

http://www.leiaja.com/cultura/2016/08/16/teatro-camara-e-arrombado-e-roubado-em-camaragibe/

Crítica despretensiosa ao Baile do Menino Deus de Camaragibe

Todo espetáculo pode e deve ser considerado como uma grande maravilha, alguém já disse algo assim. Sim, isso mesmo. Temos que considerar o tremendo e enorme esforço que diretores e coordenadores de artes coletivas como o teatro têm que dispensar para que o projeto saia do papel. A força criativa envolvida, a busca incansável pela perfeição. Mas, temos que avaliar analiticamente para podermos contribuir com a valorização dos espetáculos cênicos da cidade, do estado, do mundo. O texto Baile do Menino Deus, de Assis Lima e Ronaldo Correia de Brito, com sua trilha sonora original é um espetáculo à parte. Ele sozinho tocando e dois bonecos balançando já seria genial e bonito. Mas, um Auto de Natal tem e este teve atores, atrizes, dançarinos e outros artistas envolvidos. No de Camaragibe investiu-se nos artistas amadores, com alunos da Escola José Collier e outras crianças da cidade. Tudo bem, no entanto este material humano é mais, muito mais difícil de trabalhar por questões óbvias, tornando o trabalho mais desafiador para as pessoas envolvidas. Temos sempre que lembrar que o público que sai de sua casa, que deixa seus afazeres, que deixa de ganhar dinheiro, deixa de namorar, beber, amar, quer e merece ver o melhor espetáculo do mundo. E, convenhamos, não foi isto que aconteceu. A arte, geralmente, não é generosa com o amadorismo. Quanto à marcação, no início, observamos algumas inteligentes e que o público respondia com a catarse esperada e participativa da surpresa e do sorriso. Mas, do meio para o final foi empobrecendo e tornando lugar comum, causando tédio e marasmo na plateia. Alguns atores se destacaram com a qualidade idiossincrática de sua interpretação, a sua fé cênica, suas mugangas e experiências. Lembro-me de cabeça, o Mateus, que é de fora, mas tem uma boa voz, mesmo o trabalho sendo gravado, dá pra perceber que a bela voz utilizada é a sua. Tem uma performance descontraída, mas ainda tem alguns trejeitos de quem ainda não domina plenamente o seu corpo, um deles é fazer a posição de “L” com os dedos, repetidamente e ausência de uma maior ousadia. Porém, consegue passar um pouco da alegria do personagem. Ainda lembro o papel fundamental de Márcia, como a menina chata e birrenta que quer voltar pra casa, de Helena como Maria e de uma das meninas que tinha os cabelos presos como Chiquinha e foi o Anjo Bom, gostei de seu trabalho. Mas, faltaram coreografias, para um espetáculo que tem muitas músicas dançantes da cultura popular, isso é um elemento muito importante em cena. Poderiam ter colocado dançarinos e coreógrafos profissionais, alunos de dança, pessoal de quadrilha, enfim. O povo quer ver em cena, movimentos que não vê nem faz no dia-a-dia. Não pode ser de qualquer jeito. A maquiagem do Mateus não foi feita de forma profissional. Salpicaram um material barato, uma maquiagem, que creio não ser da marca Payot, a melhor que merecemos, de forma que os detalhes não ficaram claros, pareceu que pegou carvão e passou no rosto, como este o é de forma bruta e original do Cavalo-Marinho. Outra observação é para um ator iniciante que movimentou os elementos fantásticos e os bonecos, não deu a vida e energia necessária para estes. Até o tradicional Jaraguá não assustou nada e dançou pouco e ainda economizaram nas suas vestes lhes tirando a mandíbula e o pescoço. Quanto ao som, o volume estava incômodo, muito alto, causando desconforto para quem estava assistindo. As músicas excelentes, como disse, foram interrompidas com algumas falhas do som que estava também cortando. E ainda houve duas inserções extras ao álbum original, uma de abertura que caiu convenientemente ao contexto, e, outra que era um coco de embolada, que embora muito bonito e original falando dos mestres da cidade, ficou cansativa, por ser demorada e puxada apenas com voz e pandeiro, abrindo mão dos demais acompanhamentos de alfaia, ganzá, metais etc. A locutora e apresentadora do evento estava inspirada e entusiasmada com o evento que começou com um pastoril. Muito importante este tipo de evento acontecer, mas dá pra perceber, que a gestão valoriza pouco este tipo de atividade, pois colocou em apenas dois dias, em um único local. Não havendo nos diversos bairros da cidade. Camaragibe cresceu muito, não podemos retroagir e fazermos os eventos municipais de datas comemorativas em apenas uma localidade polarizada no centro, pois temos cidadãos ávidos de beleza artística em todo território municipal. Em tempos de outrora, havia um espetáculo circulante, onde era iniciado com um cortejo pelos bairros, um pastoril religioso, um profano, um bumba meu boi, o alto de natal, e a culminância com a banda municipal tocando músicas natalinas e dançantes com um maravilhoso show pirotécnico. Bom, mas cada um dá o que tem. E talvez na atual gestão, entendam a cultura como um favor que se dá a população. Um enfeite. Uma coisa interessante é que o Diretor do espetáculo natalino é o Diretor de Cultura da Fundação de Cultura. Para não dizer que é a raposa tomando conta do galinheiro, pois não sabemos das quantias envolvidas na montagem e sua destinação, vale frisar que não é função principal do gestor de cultura, realizar espetáculos. E sim, propiciar condições democráticas de sua viabilização. Hoje, nos municípios mais evoluídos, por meio de editais, onde os grupos mais estruturados e interessados são escolhidos de forma criteriosa e deveras profissional para, assim como a estrela que anunciou o nascimento do menino, brilhar esplendorosamente. No mais, Feliz Ano Novo para todos e todas e parabéns aos integrantes.

Por Magal Melo